Adriano partiu de Penafiel em 1967, movido pela fome que assolava Portugal naqueles tempos difíceis. A promessa de uma vida melhor em França era a sua única esperança. Inicialmente, Adriano enfrentou a solidão e o trabalho duro, mas a mudança significativa ocorreu quando, nove meses depois da sua partida, levou para junto dele a esposa e quatro filhos para se juntarem a ele. Apesar das adversidades iniciais, Adriano encontrou uma oportunidade de trabalho melhor, que não apenas aumentou o seu salário, mas também trouxe um alívio significativo para a sua família. Com o tempo, a fome deixou de ser uma preocupação, e o sacrifício da emigração transformou-se numa história de sucesso. Hoje, Adriano voltou a Portugal, mas os seus seis filhos continuam a viver na França, mantendo-se ligados às suas raízes e à história que o pai escreveu.
António Sousa, por outro lado, seguiu um caminho diferente. Sempre envolvido no setor do turismo e em agências de viagens, a sua experiência com a emigração não é marcada pela necessidade, mas pelo desejo de compreender e ajudar os emigrantes. António viajou pelo mundo, conhecendo a realidade dos emigrantes e as complexidades da vida fora de Portugal. Para António, o papel das redes sociais e da comunicação moderna transformou a forma como os emigrantes experienciam e mantêm as suas ligações com Portugal. Contudo, defende que quando regressam ao calor do seu país, todos eles, fazem questão de ter uma vida social muito ativa. Uma forma de atenuarem e compensarem o tempo perdido.
Pedro Moreira, aos 36 anos, tomou uma decisão corajosa ao emigrar para Londres, movido pelo desafio lançado pela irmã. É agora Manager num restaurante, desempenhando um papel crucial na administração e sucesso do estabelecimento. A sua escolha de emigrar não foi por razões financeiras, mas também como uma forma de explorar novas oportunidades e desafios. O maior desafio de Pedro é lidar com a distância que o separa da mãe, que acaba por envelhecer sem a sua presença constante. A nostalgia e a saudade são sentimentos que ele enfrenta diariamente, mas o desejo de voltar a Portugal e estar mais próximo da família continua a ser uma das suas maiores motivações.