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Herman José vai receber medalha de Mérito Cultural

O Governo português vai atribuir a medalha de Mérito Cultural ao ator e humorista Herman José.

O Ministério da Cultura destaca que esta atribuição é um “sinal de reconhecimento do inestimável trabalho de uma vida dedicada à televisão, à rádio e às artes do espetáculo ao longo de cinquenta anos, e em especial pelo seu trabalho pioneiro como humorista incondicionalmente comprometido com a liberdade”.

A cerimónia de entrega da Medalha de Mérito Cultural acontece no próximo dia 19 de março, em local a anunciar oportunamente.

Hermann José Krippahl nasceu em “Lisboa a 19 de março de 1954, filho de Hermann Ludwig Krippahl, de nacionalidade alemã e espanhola, e de Maria Odette Antunes Valada”.

O humorista fez os seus “estudos na Escola Alemã da capital portuguesa”, tendo iniciado “a sua carreira artística pela música, fazendo as suas primeiras aparições televisivas aos 18 anos, num programa juvenil em que participa como baixista de um trio chamado Soft”.

“ No início de 1974, faz parte do grupo In-Clave, banda residente do programa da RTP “No Tempo em que Você Nasceu”, sob a direção do maestro Pedro Osório”m refere o Ministério da Cultura em comunicado.

Ainda de acordo com a mesma fonte, iniciou “a sua carreira de ator poucos meses depois do 25 de Abril de 1974, no Teatro ABC, no espetáculo de revista “Uma no Cravo, Outra na Ditadura”.

“A peça contava com textos de José Carlos Ary dos Santos, César de Oliveira e Rogério Bracinha, e música de Pedro Osório, Thilo Krasmann e Fernando Tordo. Do elenco faziam parte nomes consagrados, como Ivone Silva, José de Castro ou Nicolau Breyner”, refere o comunicado que salienta que no “ano seguinte, Herman estreia-se como ator na televisão, no programa “Nicolau no País das Maravilhas”, onde se destaca na rábula “Sr. Feliz e Sr. Contente”, ao lado de Nicolau Breyner”.

Herman José a partir desta altura ganha visibilidade “impondo em definitivo o seu talento natural de ator e entertainer”, lançando “em 1977, lança no programa televisivo “A Feira” o tema “Saca o Saca-Rolhas”, cujas vendas lhe granjeiam o estatuto de Disco de Ouro.

Seguiram-se outros sucessos musicais como “Super-Homem Português” ou “A Canção do Beijinho”.

Em 1980, participa em “O Passeio dos Alegres”, programa de Júlio Isidro emitido nas tardes de domingo, criando “pela primeira vez uma das suas personagens definitivas, Tony Silva”.

Como cantor, Herman José participou no “Festival da Canção de 1983, com o tema “A Cor do Teu Baton”, tendo conquistado o 2.º lugar, tornando-se autor dos seus próprios programas humorísticos.

Programas como “O Tal Canal” (1983) e “Hermanias” (1984)”estabelecem uma mudança histórica no tipo de humor que se fazia no país”.

O seu programa seguinte, “Humor de Perdição” (1987-88), acabaria por ser abruptamente suspenso pelo Conselho de Administração da RTP, em reação a uma rubrica de “Entrevistas Históricas” que dessacralizava de forma desconcertante algumas maiores figuras da história do nosso país”.

Na década de 1980 e na seguinte, Herman desenvolveu “uma intensa atividade de humorista radiofónico, primeiro na Rádio Comercial (com os programas “A flor do éter”, “Rebéubéu, pardais ao ninho” e “Água mole em pedra dura entra muda e sai calada”), depois na TSF, e, por fim, na Antena 1 (com “Herman difusão Portuguesa”)”.

“Em 1990, Herman regressa à televisão com “Casino Royal”, e nos anos seguintes exercita o seu talento em diversos formatos. Em “Roda da Sorte” e “Com a Verdade M’enganas”, transporta a sua idiossincrática espontaneidade para um concurso televisivo de modelo internacional”, refere o comunicado do Ministério da Cultura.

“Assume em seguida o talk-show “Parabéns” (1992-96), onde entrevista grande parte das figuras cimeiras da sociedade portuguesa da época, assim como várias celebridades internacionais”, acrescenta a mesma nota.

O programa ““Parabéns” inclui uma rubrica humorística (“Herman Zap”), onde Herman e os seus colaboradores reconstituem cenas históricas num espírito mais uma vez iconoclasta. Em 1996, um sketch sobre a Última Ceia desencadeia um abaixo-assinado de protesto que recolhe cerca de duzentas e cinquenta mil subscritores, mas sem lograr impedir a divulgação pública do programa”.

Na RTP foi responsável por programas que são ainda hoje uma referência e permanecem na memória coletiva de muitos portugueses.

No século XXI, apresentou-se, também, nos canais de televisão privados, SIC e TVI.

Herman retomou também uma “intensa agenda de espetáculos ao vivo por todo o país e junto das comunidades portuguesas no estrangeiro”.

De entre as suas atuações, merece destaque o “espetáculo de passagem de ano de 2010, em que se apresentou perante uma plateia de mais de 70 mil espectadores, no Terreiro do Paço, em Lisboa”.

“ Em anos recentes, Herman tem estendido as suas intervenções inesperadas também às redes sociais”, alude o Ministério da Cultura que sublinha que a “sua longa carreira tem sido amplamente reconhecida e premiada. Entre outras distinções de prestígio, acumulou 12 Globos de Ouro, mais de 15 Se7es de Ouro e a Medalha de Honra da SPA entregue pelo presidente da instituição – José Jorge Letria – em 2014”.

Marcelo Rebelo de Sousa agraciou Herman José “por duas vezes, primeiro com o grau de Comendador da Ordem do Mérito (a 10 de junho de 1992) e, mais recentemente, com o grau de Grande Oficial da Ordem do Infante Dom Henrique (a 7 de novembro de 2023)”.

Herman José desempenhou em “Portugal um papel pioneiro na apresentação humorística de espetáculos, na televisão e ao vivo”, tendo como “autor, ator, apresentador, realizador ou produtor, participou numa grande diversidade de programas”.

 Ao longo da sua carreira, contribuiu também para o “lançamento de sucessivas gerações de talentosos comediantes, tanto atores como autores”.

Herman dedicou-se, ainda, à “música, como criador e intérprete, e teve algumas participações no cinema, designadamente como protagonista de O Querido Lilás (de Artur Semedo, 1987)”.

“ O seu trabalho pauta-se por enorme diversidade, por um largo espectro de intervenções criativas e por uma imaginação irrefreável. Assim, em sinal de reconhecimento do inestimável trabalho de uma vida dedicada à televisão, à rádio e às artes do espetáculo ao longo de cinquenta anos, e em especial pelo seu trabalho pioneiro como humorista incondicionalmente comprometido com a liberdade, o Governo português presta pública homenagem a Herman José, concedendo-lhe a Medalha de Mérito Cultural” refere o Ministério da Cultura.

(Fotografia: DR)

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