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Ao meu amigo Professor João Sobrinho Teixeira

Durante a última legislatura conheci o João Sobrinho Teixeira, que tinha sido Secretário de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, antes Presidente do Instituto Politécnico de Bragança e durante cinco anos Presidentes do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos – CCIS. Sobrinho Teixeira é Doutor em Engenharia química pela Universidade do Porto e Professor Honoris Causa pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), 2018.

Distinguido recentemente pelo governo com a medalha de Mérito Científico, destinada a galardoar as individualidades nacionais ou estrangeiras que, “pelas elevadas qualidades profissionais e de cumprimento do dever, se tenham distinguido por valioso e excecional contributo para o desenvolvimento da ciência ou da cultura científica em Portugal.

Depois desta introdução inicial pretendo falar -vos de alguém que se tornou um amigo um conselheiro um farol para a minha vida. Por norma sentava me no lado mais à esquerda do hemiciclo junto ao José Carlos Alexandrino, Jorge Botelho, o Ricardo Lino, o Manel Afonso de Santarém, o Tiago Brandão Rodrigues e lá estava o Sobrinho Teixeira sempre agarrado ao PC a trabalhar nos assuntos dos institutos politécnicos, um dia disse-lhe “sabes sobrinho Bragança é a minha segunda terra estudei lá um ano e fiquei apaixonado. “ E cantei-lhe baixinho “um terra bem pequena onde toda a gente se conhece bem lá baixo, bem lá cima “. Ele sorriu e percebeu que tinha uma ligação umbilical a Bragança.

Uma certa tarde vi o o Sobrinho nervoso por causa dos estatutos dos politécnicos, não havia consensos para fazer passar o diploma e era preciso encontrar mais apoios, eu novato nas coisas do parlamento disse-lhe “oh Sobrinho tem calma só do Porto somos 19 mais os deputados do inteirior, os deputados de Coimbra José Carlo Alexandrino e os de Santarém e com Manel podemos ajudar a encontrar uma maioria”.

Dito e feito, recorrendo aos telefones internos e em poucos minutos encontrámos apoios que chegavam e sobravam. Depois entrarei em pormenores que não sendo críticos para esta história são mas factuais e conseguiu-se aprovar a Proposta no Parlamento com votos favoráveis de todas as bancadas e valorizar o ensino politécnico. Politécnicos vão poder conferir grau de Doutor e ter a designação em inglês “Polytechnic University”.

Depois disso a nossa relação de amizade tornou-se mais pessoal, falávamos das nossas vidas e dos nossos sonhos. Eu curioso e como sou um fã da formação perguntei-lhe como fez crescer o IPB ao que o Sobrinho me explicou a sua busca por alunos em África onde ajudou a formar uma nova geração de quadros desses países, chegou a vez de dar-mos algo a quem tanto tiramos durante os tempos do colonialismo. Mais tarde a sua incursão pelo Brasil onde conseguiu protocolos que garantem que os engenheiros portugueses tenham acesso à Ordem dos Engenhos no Brasil e os brasileiros, acesso a Ordem em Portugal. Ao mesmo tempo conseguiu captar mentes brilhantes do Brasil que têm ajudado a desenvolver os colabs e as empresas em Bragança. Estaria aqui horas a falar-vos das nossas longas conversas de aprendizagem.

Sendo digno de nota uma historia de comboios, prometi que o tema dos comboios faria parte da agenda do parlamento. O Sobrinho Teixeira apaixonado pelo projecto da linha de Trás os Montes liderado pelo meu amigo Luis Almeida pediu-me para ir a uma reunião, em Valladolid, entre os deputados eleitos pelos círculos eleitorais de Bragança, Vila Real e Porto do Grupo Parlamentar do Partido Socialista com deputados e senadores do PSOE de Castela/Leão para debater as necessidades de ligações transfronteiriças a nível ferroviário e rodoviário entre as duas regiões.

Prometeu-me boleia e eu disse-lhe que ia de comboio ele sorriu e disse-me: “Como chegas lá de comboio isso sao muitas horas” eu sorri não te preocupes que eu à hora da reunião la estarei. E assim foi. O Sobrinho começa a reunião e disse ao Luís Tudanca que vínhamos falar sobre um comboio de Alta Velocidade entre Porto e Madrid em 2h45m, apresentou-me como o deputado português apaixonado por comboios que faria uma pequena introdução sobre o projecto. Eu ainda um pouco nervoso levava uma na manga e disse: “Olá eu sou o José Carlos Barbosa e vim cá ter de comboio sai de Paredes na minha terra em direção a Vigo, de Vigo segui até Madrid num AVE e de Madrid cheguei a Valladolid, foram 820km, em 8h40m, e quero vos falar da possibilidade de uma dia chegarmos aqui 3h30m”. Por momentos senti o peso do silêncio na sala e o sorriso de alguns, que perceberam o que estava em causa: uma revolução na forma como os povos dos nossos dois países se relacionam.

A reunião continuou com opiniões entre as partes e no final uma grande conferência de imprensa a apoiar o projecto. Naquele momento senti que o Sobrinho Teixeira, homem de causas tinha acabado de plantar a bandeira na ferrovia naquela sede do PSOE.

Por fim e porque a história já vai longa falo-vos do homem Professor Doutor com uma carreira de sonho que podia ter espírito individualista e preferia continuar a ser socialista, um dia um governante queria voltar apostar na loucura das notas para limitar o acesso ao ensino superior, e o Sobrinho diz-me “oh Zé Carlos eventualmente o filho de um carpinteiro, de um electricista, que estudou na escola pública pode ser melhor que um filho de um catedrático que estudou nos melhores colégios e nas melhoras salas de apoio, e por isso terem piores notas, pelo que se tornas mais restritivo o acesso ao ensino superior vais fazer com que vários alunos médios bons deixem de aprender mais e isso limita a evolução do país. Porque há alunos medianos que se tornam mentes brilhantes na faculdade com isso perde o país e o mundo.”.

Essa frase tocou me até aos dias de hoje! Por mais limitação que tenha a pessoa nunca desista dela, foi isso que fiz na CP quando tive a sorte de liderar umas centenas de pessoas. Todos podem dar um pouco de si.

A ti meu amigo Sobrinho espero te ver a liderar uma câmara em Trás os Monte o País Precisa de ti. Há poucas pessoas como tu.

José Carlos Barbosa

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