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Artigo de Opinião | Unir – Mas pelas pessoas

Ao longo deste mês, temos visto muita insatisfação com a nova rede de transportes intermunicipal da Área Metropolitana do Porto – a Unir. Mas afinal o que é que se passa? O que levou a um tão grande descontentamento das populações para com um projeto que pretendia aproximar os concelhos englobados no projeto?

A Unir é um projeto que pretendia, através da fusão das diversas “carreiras”, melhorar o serviço de transportes públicos entre os 17 municípios que estão envolvidos. Teoricamente, tendo apenas uma entidade a planear e a gerir toda esta rede, permitiria, por exemplo, uma melhor simbiose para quem tivesse de apanhar mais do que um autocarro. Além disso, com um orçamento superior e sendo gerida pela Área Metropolitana, a Unir permitiria servir melhor as populações. Horários mais ajustados às necessidades dos utilizadores do serviço, com uma nova frota mais amiga do ambiente, mais confortável e, possivelmente o mais importante, com maior cobertura. As vantagens são óbvias e este serviço, que em nada influenciaria diretamente a STCP, daria um passo em frente rumo a uma Área Metropolitana mais próxima, permitindo a mais famílias deixar os carros em casa, reduzindo assim o impacto ambiental, o trânsito e o peso que as deslocações diárias têm nas carteiras de todos nós.

A ideia é excelente. A prática foi terrível.

Ao fim de duas semanas, multiplicaram-se as queixas. Não houve uma preocupação em que as pessoas tivessem acesso e/ou percebessem o que ia mudar, a frota de autocarros ficou aquém do prometido, os horários não correspondem às necessidades, os lotes foram mal divididos, a formação dos motoristas não foi a suficiente e este projeto também trouxe um flagelo que assola especialmente Lisboa no que toca às empresas de transporte privado – a barreira da língua.

Mas se isto não é assim tão dramático para quem, através de uma app específica, pode chamar um motorista que o leve do ponto A para o ponto B, pergunto-vos eu – o que acontece se um idoso de Paredes ou Gondomar por exemplo, por algum motivo, precisa de se deslocar ao centro do Porto e, não conhecendo o caminho, pede indicações ao motorista sobre qual é a melhor paragem para sair ou como vai da paragem ao seu destino? Qualquer pessoa consegue ver no telemóvel qual é a paragem mais próxima, mas um bom motorista que conhece bem a sua rota, sabe que possivelmente é preferível aconselhar o idoso a sair numa paragem que, embora mais longe, lhe permite fazer um percurso a descer em vez de a subir. Isto para não falar de que muitas vezes os 10 minutos de conversa com o “Senhor Motorista” traz um grande impacto positivo no dia daquela pessoa que, de outra forma, faria a sua viagem em silêncio para não incomodar ninguém. Este papel humano que tão cedo nenhuma máquina poderá substituir cai por terra quando a língua se torna uma barreira.

A solução? Formação. Havendo uma grande carência de motoristas, não só em Portugal, visto os vencimentos não serem aliciantes o suficiente (problema transversal em Portugal), é necessário investir nas pessoas que se disponibilizam a prestar este serviço. Eu diria que subir os salários seria a opção mais meritória, mas com contratos já fechados com os operadores e com o valor da remuneração já prevista, o aumento desta despesa tornaria insustentável o equilíbrio financeiro dos contratos. Falta de visão.

No que toca aos lotes já vemos alguns sinais de esperança. Alguns já estão a ser repensados, informação que salta à vista com uma simples consulta no website oficial da Unir. Novamente, verificamos o impacto da falta de visão.

Verifica-se exatamente o mesmo problema de fundo no que a dinheiro diz respeito. Os municípios, que são quem sustenta o projeto, não podem prometer uma melhoria transversal do serviço e depois serem conservadores no que toca ao investimento. A melhoria da qualidade precisa de dois fatores: Uma boa gestão e um bom investimento. Mas no fim do dia, por muito boa que possa ser a gestão, não se pode esperar que uma toalha demasiado curta consiga cobrir uma mesa, se se puxar de um lado, o outro lado fica descoberto. Sem dinheiro é impossível “obrigar” os operadores a melhorar a fraca oferta.

As perspetivas são que o serviço melhore gradualmente. Não tendo sido previstas algumas das falhas vividas atualmente, nada como ir fazendo remendos à Portuguesa. Os mais pessimistas dirão que irá de mal a menos mal. Sem dúvida que esta falsa partida vai resultar em alguns utentes arranjarem formas alternativas de transporte e tão cedo não retornem a esta opção, o que reverte por completo o objetivo do projeto. A ideia em si era ótima, falhou no amadorismo como passou à prática. Aumentar receitas e cortar despesas é importante, mas, no que a serviços públicos diz respeito, se os contribuintes têm de os suportar, ao menos que sejam eficazes.

 

Hugo Gonçalves

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