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Artigo de Opinião | “VALOMBA”: o nível seguinte de uma política falhada

Numa ocasião anterior, num artigo da minha autoria, mas que em tudo pretendeu transmitir e espelhar aquele que é o pensamento da Juventude Popular Valongo no que contende com as recentes alterações operadas em matéria de ordenamento do território em Valongo, mormente, na política de organização e disposição das estradas do concelho, tive oportunidade de expor os inúmeros pontos negativos que determinadas obras representaram para o concelho de Valongo.

Aí fiz referência ao facto de a EN15 ter sido transformada numa estrada de sentido único, tendo dado lugar a mais lugares de estacionamento, bem assim às obras realizadas no centro da cidade de Valongo, como a eliminação de tudo aquilo por que era conhecido o antigamente denominado Lago dos Patos, alicerçada em meras razões logísticas, entre tantas outras alterações produzidas cujo pensamento, ou se revelou errado, ou apenas poderá ter sido simplesmente inexistente.

Nessa ocasião, conclui que a complexidade das estradas, o estreitamento das ruas e a verificação de um número excessivo e exagerado de carros no centro da cidade nunca se vivenciou no centro de Valongo de forma tão acentuada como desde que as obras em apreço terminaram, encontrando-se atualmente os fregueses e munícipes, bem como as gentes de fora que têm, por uma ou outra razão, Valongo como um local de passagem e vivência frequente, vinculados a uma cidade completamente diferente – para pior, o que certamente impactou nas suas vidas uma mudança de hábitos, que, não fosse já inconveniente, se afigura também como simplesmente desnecessária.

Ora, daí para cá, e apesar de no Orçamento Municipal 2023 ter a Câmara, leia-se, o Partido Socialista Valongo, lançado mão de uma explicação com um intuito puramente político, tentando passar a ideia e a imagem de que aquilo que foi feito foi bem feito, e o que não foi é apenas experimental e, como tal, provisório, a verdade é que a situação descrita e reportada na referida ocasião pouco ou nada se alterou, sendo que entre as poucas alterações produzidas, apenas se poderá dar novamente nota negativa.

Em especial, a verdade é que em relação a algumas alterações realizadas se deverão tecer certas considerações. Na verdade, desde há uns meses para cá, passaram os munícipes do concelho de Valongo a conviver com inúmeras lombas, em número certamente excessivo, entretanto implementadas, com uma rapidez, aliás, bastante assinalável e certamente invejável quando comparada com o tempo de execução de outras obras, também recentes e certamente já conhecidas pelos munícipes.

Ora, em primeiro lugar cumprirá dizer que a existência de lombas se revela obviamente necessária. O controlo da velocidade dos carros e a segurança dos peões são os seus objetivos primordiais e, como tal, não se encontrará pelo presente uma qualquer crítica simplista e sem nexo que pugne pela inexistência de lombas. O que se criticará, contudo, é o momento em que se avançou para a sua implementação, a sua forma íngreme e agressiva, bem como as próprias circunstâncias em que a execução da sua implementação decorreu.

Como em cima se recordou, no que diz respeito à cidade de Valongo, nunca se experienciaram estradas tão complexas e acidentadas como as existentes hoje em dia, o que engloba o estreitamento de ruas, e o aglomerar de carros, não apenas entre os muitos lugares de estacionamento criados, como também em filas caóticas nas horas de ponta e de maior movimento, como é aquele em que as pessoas se deslocam entre a sua casa e o seu local de trabalho, e vice-versa.

Se assim é, bem se perspetivará então – mesmo para aqueles que desconhecem a realidade descrita -, qual o efeito das várias lombas entretanto implementadas: o aumento da complexidade das estradas, e, consequentemente, da dificuldade da condução que certamente muitos munícipes – e não só -, vivenciam atualmente.

Em Valongo, é cada vez mais difícil ter uma condução sem percalços, em que o cuidado não seja redobrado e triplicado. Entre estradas em má conservação, com buracos e desníveis, entre inúmeras curvas, entre desvios desnecessários e artificialmente criados, entre passadeiras localizadas em sítios certamente pouco pensados e, por isso, pouco seguros, aquilo que de certeza não era preciso era o acrescento de um maior e algo exagerado número de lombas. Existiam (e existem) certamente outras prioridades cujo tratamento merecia ser igualmente prioritário.

Realizando um exercício comparativo com outros concelhos, também de natureza marcadamente dormitória e funcional, numa relação constante com outros concelhos, mais precisamente, com o concelho do Porto, no qual inúmeras pessoas estudam e trabalham, certo é que nos mesmos assistimos à existência de estradas simples, pouco acidentadas, que, é verdade, se pautam igualmente pela existência de obstáculos à velocidade desmedida e acautelam a segurança dos peões, mas sem que para isso necessitem da política pela qual Valongo acabou por enveredar.

Nesses concelhos é possível observar a existência de um verdadeiro “convívio” entre tudo aquilo que se revela essencial a uma cidade, entre passeios, passadeiras e lombas, que não ocupam a estrada de modo a dificultar a vida aos condutores, permitindo-lhes, não só iniciar como também terminar o seu longo e árduo dia de trabalho longe de um stress do trânsito certamente maior do que o já inevitável.

A este ensejo, diga-se, ainda, que não estamos a falar de lombas funcionais e de tamanho reduzido. Estamos sim a falar de lombas de uma dimensão muito assinalável, praticamente com o mesmo nível de altura dos passeios, que não obrigam apenas os condutores a terem um maior cuidado com a sua velocidade, como obrigam mesmo os próprios a terem simplesmente de parar para não provocar estragos aos seus veículos.

E isto justificava, aliás, que as circunstâncias em que as mencionadas lombas foram colocadas se pautassem de uma maior diligência, zelo e cuidado do que aquelas pelas quais se pautaram as condições de implementação verificadas nos casos presentes.

Na verdade, estamos a falar de lombas que foram implementadas, em vários casos, num curto período de um, dois ou três dias, e com a dimensão significativa já descrita, o que exigia certamente que a sua sinalização fosse feita de forma mais adequada e apropriada. Pelo contrário, em praticamente todos os casos, aconteceu que as lombas foram implementadas sem qualquer tipo de sinalização, causando surpresa a muitos dos condutores que por elas passaram, com isso aumentando a perigosidade da via em que as mesmas se encontram localizadas.

Cada vez mais resulta à evidência que a política do executivo camarário de ordenamento do território, em particular, no que à organização e disposição das estradas diz respeito se revela como um falhanço do qual o concelho demorará décadas a poder dele recuperar. A “Valomba” consubstanciou tão-somente uma etapa seguinte da política falhada aqui em discussão.

Com a implementação de tantos meios de trânsito, muito pouco funcionais, a identidade do ordenamento do território de Valongo perde-se a cada momento.

 

Ricardo Barbosa Moreira

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