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Deputado penafidelense faz interpelação à mesa da AR depois de ministro afirmar que o PSD é um “partido de “nhanhanhas”

Deputado penafidelense faz interpelação à mesa da AR depois de ministro afirmar que o PSD é um “partido de “nhanhanhas”

O deputado penafidelense fez, esta quarta-feira, uma interpelação à mesa da Assembleia da República, no âmbito do debate sobre política setorial, com o Ministro da Educação, João Costa, depois do governante ter afirmando que o PSD era um partido de “nhanhanhas”.

“Quero fazer uma interpelação à mesa sobre a condução dos trabalhos. Só para dizer que o PSD não é um partido de “nhanhanhas”…nós somos um partido…desculpem lá, vamos elevar aqui o debate. Somos um partido responsável…”, afirmou.

Na sua intervenção inicial, o deputado penafidelense eleito pelo PSD pelo círculo eleitoral do Porto começou por criticar o ministro que tutela a pasta da educação, recordando que passar as culpas para o PSD, para quem está a governar há sete anos, é fácil.

“Depois de ouvir os seus anúncios há pouco, começo já por lhe perguntar: onde é que esteve nos últimos quase sete anos? Onde esteve o Partido Socialista? Até parece que chegaram agora ao governo!”, disse, inquirindo o ministro de quanto alunos entre 2011 e 2015 ficaram sem aulas, a uma disciplina, pelo menos durante um ano inteiro.

O deputado eleito pelo PSD criticou, ainda, o facto de o ministro ter transferido a responsabilidade da falta de professores para o maior partido da oposição.

“Esquece-se que entre 2011 e 2015, que a troika foi chamada a Portugal, a pedido pelo PS, e de repente a culpa é do PSD. Não é intelectualmente correto dizer uma coisa destas.  Há muito que o problema da falta de professores está identificado, pelo menos desde a vossa 1.ª maioria absoluta em 2005!! Ora, no ano letivo anterior, o segundo período acabou com 28 mil alunos sem todas as aulas; Em setembro, o ano letivo arrancou com 60 000 alunos sem aulas a pelo menos uma disciplina”, expressou, recordando que nos próximos cinco anos, 20% dos professores aposentam-se.

António Cunha afirmou que “nos próximos 10 anos sairão 58%”.

” Os senhores governam há sete anos e não houve nenhuma medida para contrariar este problema. Conheciam os números desta bomba-relógio e nada quiseram fazer. Só agora é que deram conta desta bomba-relógio? Então, só agora, é que diz que vai tomar medidas?? O que fizeram em sete anos? Nada!!”, frisou.

António Cunha apontou, ainda, críticas ao Governo pelo facto de não se preocupar com os docentes que irão sair por aposentação nem se preocupar em fazer com que os jovens que saem do ensino secundário procurarem estes cursos.

Fotografia: DR

“Sabe o que é grave também?? Nem acautelaram as saídas por aposentação, nem fizeram nada para atrair os jovens para a profissão docente”, avançou, acrescentando que não se vislumbram medidas por parte do Governo relativamente a esta questão.

Falando da falta de atratividade para a profissão, o deputado social-democrata penafidelense questionou o Governo acerca dos incentivos que figuravam no Orçamento para 2021 para potenciar a conciliação entre a vida familiar e profissional.

“Já agora Sr. Ministro, o que é feito dos incentivos que os senhores inscreveram no Orçamento do Estado de 2021 para potenciar a conciliação entre a vida profissional e familiar dos docentes?”, questionou.

O deputado relembrou que a carreira de professor não é atrativa para os jovens.

“Ser Professor não cativa os jovens em Portugal. Porquê?? Porque a carreira de professor não é atrativa e nem valorizada. Em 2021 só 3% dos alunos no Ensino Superior estavam matriculados em cursos de educação!!! Na sua entrevista ao Observador disse que este ano houve um aumento de 14%. Contas feitas, entram mais 223 alunos, cerca de 1800. É muito pouco. Até 2030, vamos precisar de mais de 34 mil novos professores. A partir de 2028 vamos precisar de 4 mil por ano”, manifestou, relembrando que o Governo tem uma bomba-relógio nas mãos.

António Cunha, na sua intervenção, apelidou estas medidas de requentadas.

“Já tinham sido anunciadas em 2015, em 2018, 2019 e em 2022. Diminuição dos quadros de zona pedagógica, já tinha sido anunciado, estabilizar o corpo docente nas escolas, efetivarem mais cedo, são tudo medidas requentadas. Porquê só agora? É evidente que é muito mais fácil dizer que a culpa é do PSD”, afirmou.

“Por que razão é que essas medidas foram anunciadas e não foram executadas? Porquê, Sr. Ministro. Onde é que o Sr. e o PS estavam?”, inquiriu, sublinhando que temos assistido à degradação do exercício da profissão dos docentes.

“De facto, temos assistido nas escolas à degradação das condições de exercício da profissão de professor, mas também dos assistentes técnicos e operacionais de educação”, adiantou, questionando o Ministro da Educação e o Ministro da Ciência e do Ensino Superior quando vão abrir outro concurso para inspetores da educação.

“Recordo que a Inspeção-Geral da Educação e Ciência (A IGEC), abreviando, exerce a sua atividade desde a educação pré-escolar até ao ensino superior, em variadas áreas desde o acompanhamento, auditoria, avaliação, provedoria e ação disciplinar. Ora nesse concurso de 2018, foram abertas vagas para 24 inspetores. Este concurso demorou 4 anos: 3 legislaturas diferentes. Dos 20 que realizaram o período experimental ficaram apenas 8. 5 em Lisboa, 1 em Coimbra e 2 no Porto. Quatro anos depois, milhares de euros gastos na sua formação, os senhores não tiveram capacidade negocial para os manter na IGEC! Sabe quantos inspetores saíram por aposentação entre janeiro de 2019 e maio de 2021?  Saíram 20!! Por que razão só ficaram oito inspetores?? Quando vão abrir outro concurso?”, precisou.

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