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(C/ VÍDEO) Penafiel: Tradição voltou a cumprir-se em Galegos e a juntar homens da freguesia, num convívio em que as mulheres não participam

Penafiel: Tradição voltou a cumprir-se em Galegos e a juntar homens da freguesia, em convívio em que as mulheres não participam

Cerca de 100 homens participaram, este domingo, no 33.º convívio dos veteranos dos Amigos da Paródia, evento organizado pela Associação Desportiva, Recreativa Amigos da Paródia e que este ano teve como destino o parque de merendas da Franqueira, em Barcelos, junto à ermida de Nossa Senhora da Franqueira, num local verdadeiramente único.

Num regresso muito desejado, após dois anos de interregno devido à Covid-19, o grupo começou a chegar bem cedo à sede da associação, devidamente trajado com as cores do grupo de veteranos e da associação, para uma jornada longa, direcionada apenas para os homens da freguesia em que não é permitida a presença de mulheres.

O presidente da Associação Desportiva, Recreativa Amigos da Paródia, Carlos Bastos, referiu que o convívio iniciou com os veteranos mais antigos, sendo que esta iniciativa apresenta hoje uma dinâmica crescente, com a entrada de novos membros e uma notoriedade que extravasa o concelho e a região.

“Inicialmente o convívio começou com os mais antigos, mas tem vindo a alargar em número de novos convivas. O precursor do convívio é o Jorge Coelho, que por razões de saúde não pode, este ano, estar presente. Estamos a falar de num evento que tem a particularidade de ser apenas direcionado para homens, está vedada a participação das senhoras, tal como sucede no passeio anual”, disse, salientado que todos os anos este convívio tem um destino diferente.

“Todos os anos o local vai variando. Esta é a primeira vez que nos deslocamos à Franqueira”, avançou, afirmando que este convívio tem na sua base a preservação das tradições, promover o convívio, com os presentes e permitir rever velhos amigos e amizades.

O responsável pela associação recordou que todo este evento envolve uma logística que vai desde a escolha do local, a escolha das cabras, a sua preparação, o transporte e a animação.

O convívio tem como pontos altos o batismo dos novos recrutas, dos novos elementos que se comprometem a zelar e dar continuidade a esta tradição, sendo realizada uma missa em memória dos associados e seus familiares que conta com aminação musical do grupo coral, também constituído apenas por homens.

José Carvalho, responsável pela confeção da chanfana há 33 anos, um dos elementos mais antigos deste convívio, testemunhou que esta é uma iguaria confecionada à base de cabras velhas, embebida em vinho, misturada com outros ingredientes, um prato que tem sido confecionado quase sem grandes alterações ao longo dos anos e que é apreciado pela maioria dos convivas.

“Estou cá desde o princípio deste convívio. Recordo-me que no início confecionávamos em cima de uns bidões a óleo. A equipa de cozinheiros era e é a primeira a chegar. A chanfana leva inúmeros ingredientes, é embebida em vinho e demora várias horas até estar devidamente pronta a ser servida. Quem prova a minha chanfana já não quer outra coisa”, frisou, sublinhando que a confeção da chanfana envolve toda uma equipa de cozinheiros e um trabalho em equipa.

José Carvalho declarou que só depois de provada pelo chefe da equipa e dado o toque de ordem do clarim é que os convivas, em fila indiana, podem dirigir-se para uma mesa onde se encontra a equipa da cozinha que de forma diligente serve cada um dos comensais.

José Carvalho recordou, ainda, que no início deste convívio o bacalhau começou por ser o prato principal, mas rapidamente o chefe de cozinha e demais equipa mudaram para a chanfana, uma aposta que se mantém até aos dias de hoje.

“A chanfana é uma carne saborosa e quando vai para a mesa perde o cheiro intenso que a carateriza. Há pessoas que não gostavam desta iguaria e depois de começarem a comer passaram a gostar”, frisou.

Evaristo Costa, tesoureiro da associação, recordou que o primeiro convívio foi realizado em São Salvador da Pesqueira.

“Foi tudo devidamente preparado, a chanfana foi confecionada em bidões a óleo e desde, então, nunca mais paramos”, sustentou, relembrado que este evento foi criado por Eduardo Vinhas, pai de José Vinha, sendo hoje um evento de referência na freguesia e não só.

Evaristo Costa confirmou que as mulheres, neste dia, ficam de fora, um costume, que se mantém até hoje.

“Os estatutos não foram revistos e só a lei poderá alterar esta situação, mas a associação mantém esta tradição. Estamos aqui, mas as mulheres estão num convívio no Mozinho. Elas também não querem ficar em casa. Deixaram os homens partir, e em segredo, deslocaram-se para o Mozinho”, precisou. 

O padre Camilo Neves, um amigo da associação, que se deslocou de propósito de Lisboa a Barcelos para estar com os convivas, confirmou que este encontro entre homens, sem mulheres, é “salutar”.

“Quando estou com os meus colegas costumo dizer que vou celebrar missa para 60/70 homens. Não existe nada disto, não conheço em lado nenhum”, afirmou, elogiando o espírito de equipa, assim como a estrutura que é devidamente preparada e faz com que este convívio funcione ano após ano.

O pároco afirmou, ainda, ser um apreciador de chanfana e são estes momentos que fazem a diferença na vida das pessoas.

“São estes encontros que fazem a diferença. O resto é o dia-a-dia, é a rotina, são os problemas. Isto é vida seja para os mais novos, seja para os mais velhos”, atalhou.

Paulo Vinha, um dos associados da Associação Desportiva, Recreativa Amigos da Paróquia, e participante há vários anos, reconheceu ser importante manter esta evento ímpar no concelho, assim como uma tradição com raízes e particularidades únicas, em que as mulheres, pelo menos ma vez no ano, não interagem com os homens.

“O meu avô já fazia este evento, o meu pai continua a ser um dos grandes dinamizadores deste convívio, pelo que é um, prazer dar continuidade a esta tradição familiar. E venho com todo o prazer. É um orgulho para mim participar e até acho que é fundamental que os mais novos agarrem este evento. Quando os mais velhos deixarem de ter condições para continuar, corremos o risco deste se perder, o que seria uma pena”, afiançou, confirmando que na freguesia de Galegos, neste dia, não há homens na freguesia.

Rodrigo Lopes, vereador da Câmara de Penafiel, em representação da autarquia, relevou a importância deste convívio, que volta a decorrer dois anos depois devido à Covid-19.

O autarca enalteceu a importância e o seu valor cultural, justificando que a não presença das senhoras neste convívio é justificada pela própria tradição.

“Não quer dizer que os seus fundadores e as pessoas que lhe deram continuidade tenha algum problema com a igualde de género. Sei que as senhoras também fazem o seu convívio. Tem esta particularidade que é aceite por todos. Trata-se apenas de um convívio”, declarou, enaltecendo o facto deste evento integrar cada vez mais elementos.

“Tem existido essa renovação, o que garante a continuidade desta tradição”, disse, assumindo ser um apreciador de chanfana.

“É preparada por homens, para homens e apresenta-se com uma qualidade ímpar. Já comi em Manteigas e esta não fica nada atrás da de Manteigas”, aludiu.  

Lobo Batista, do grupo de veteranos dos Amigos da Paródia, enalteceu, também, o caráter ímpar e histórico de um evento já com vários anos, que continua a assumir uma importância capital na freguesia e no concelho e que mantém como premissa a obrigatoriedade do mesmo se realizar sem a presença das mulheres da freguesia.

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