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C/vídeo – Câmara de Lousada e Misericórdia criam bolsa de cuidadores substitutos dos cuidadores informais

Acordo entre Câmara de Lousada e Misericórdia cria bolsa de cuidadores substitutos dos cuidadores informais

A Câmara de Lousada e a Santa Casa da Misericórdia assinaram, esta sexta-feira, um protocolo de parceria com objetivo de criar uma resposta inovadora para criar uma bolsa de cuidadores designada “Lousada Cuida”.

O protocolo estabelece, também, algumas das medidas de Apoio do Centro de Apoio ao Cuidador Informal de Lousada, que tem como objetivo “implementar respostas de apoio social dirigidas aos cuidadores informais”.

O provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lousada, Bessa Machado, relevou a importância deste acordo, mas também do entro de Apoio ao Cuidador Informal de Lousada, uma resposta social que tem precisamente como propósito apoiar os cuidadores informais no esforço e desgaste diário na entrega a alguém que perdeu a sua autonomia e funcionalidade.

“Não estamos despertos para as coisas que não conhecemos de perto. Só a partir do momento em que passei a ser cuidador é que me apercebi da grande dificuldade que acarreta esse cargo. É um cargo que não é remunerado, que na maioria dos casos é um cargo a tempo inteiro, uma tarefa pesada. Costumo dizer que dou Graças a Deus por ter condições económicas que me permitem ter ajudas, mas mesmo assim estou com a minha esposa à volta de 16 horas por dia, entre 16 a 18 horas por dia e percebo o desgaste. Neste caso, apercebi-me do grande problema que é ser cuidador e do abandono que o Estado os votou e continua a votar independentemente da lei que saiu e que no fundo foi só para enganar”, disse, salientando que há uma insuficiência de respostas a este nível.

“Fala-se que em Portugal há entre 800 mil a um milhão de cuidadores informais e aquilo que o Estado fez foi criar o Estatuto do Cuidador Informal e aqueles  que até hoje estão reconhecidos como tal devem ser 1500 ou dois mil. O que é isso comparado com a realidade?”, questionou, sustentado que propôs à mesa administrativa da Misericórdia de Lousada a criação do Centro de Apoio ao Cuidador Informal de Lousada que gostaria que tivesse uma retaguarda em termo físicos, uma equipa técnica, mas também, condições para fazer um levantamento de todo o concelho para determinar as ações em cada caso.

Bessa Machado referiu que além do levantamento inicial que a instituição fez, a Misericórdia apresentou também uma candidatura que acabou por não ser aprovada, pelo que a instituição está a fazer, neste momento, esse caminho sozinha.

Referindo-se à assinatura do protocolo com a Câmara de Lousada, o responsável pela Santa Casa da Misericórdia reconheceu ser um passo importante na medida em que permite envolver a autarquia no projeto.

“O objetivo aqui será sempre envolver outros parceiros porque este é um projeto demasiado grande. Temos de perceber que o número de cuidadores é elevado. Conheço uma senhora que cuida de dois filhos deficientes há mais de 50 anos, a tempo inteiro,  sem condição económica. Imagine-se o que isso é? Por isso, temos de pensar que como esta senhora, há, no concelho, milhares de cuidadores e há situações dramáticas”, confessou.

Bessa Machado destacou que, neste processo, há cuidadores que acabam por ficar isolados, que não acedem às situações a que têm direito, por falta de conhecimento ou porque não têm condições para saírem de casa.

“O nosso trabalho passa por criar condições para que estes cuidadores consigam aceder a tudo a que têm direito, colaborando e, às vezes, fazendo o trabalho por eles”, manifestou, informando que a assinatura deste protocolo permite aos cuidadores informais criar condições de substituição nalgumas situações pontuais.

Nesta questão, o responsável pela Santa Casa da Misericórdia de Lousada realçou que a grande dificuldade passará por convencer os cuidadores informais a entregarem os seus familiares a outros cuidadores formais.

Bessa Machado defendeu, por outro lado, que a questão psicológica é determinante, estando a Misericórdia a realizar já esse apoio psicológico.

 “Em mais de metade dos cuidadores a primeira necessidade é o apoio psicológico e já temos feito esse apoio com psicólogos, só que é sempre uma situação limitada porque os recursos ainda são limitados”, sustentou, sublinhando que a Misericórdia inicialmente chegou a dispor de quatro recursos humanos, mas passou a ter dois uma vez que a tal candidatura acabou por não ser aprovada.

Bessa Machado concretizou que a assinatura deste protocolo com a autarquia lousadense consiste na atribuição de um subsídio mensal para a instituição contratar um cuidador que faça substituição, sempre num âmbito limitado.

A instituição além dos cuidadores voluntários, tem também os cuidadores formais que contrata com recurso ao subsídio que a autarquia dá à Misericórdia de Lousada.

“Qualquer pedido tem de ser coordenado com o Centro de Apoio ao Cuidador Informal de Lousada. Neste momento teremos um a dois cuidadores, pelo que tem de existir uma organização em termos de horários”, vincou, acrescentando  que este serviço tem um custo simbólico.

“Não queríamos dar nada por completo, porque tudo que é dado, não é valorizado. Achamos que devem pagar ainda que seja meramente simbólico para que as pessoas sintam que isto tem um custo. Em casos sociais, obviamente que não pagarão esse serviço”, confirmou.

O Presidente da Câmara de Lousada, Pedro Machado, reconheceu que esta é uma área socialmente relevante, uma necessidade que tem de ser encarada com a urgência e a acuidade que lhe é devida.

“Todos de forma direta e indireta fomos contactando com situações de familiares e amigos que tiveram a necessidade de se entregar ou ter uma dedicação exclusiva ou quase exclusiva a alguém que ficou com dependência grave. Fomo-nos habituando à ideia de que quem está mais próximo terá de dar esse apoio quando é possível porque nalgumas famílias isso não é possível. Acho que a sociedade foi relativizando esse problema e todos nós fomos desconsiderando essa problemática e ela tem vindo a agravar-se e muitos  dos que têm alguém a cargo vão-se abaixo física e mentalmente. Nalgumas situações são entregas 24 horas por dia, outras vezes, estamos a falar de cuidadores que conseguem compatibilizar a sua vida profissional com essa apoio e entrega, mas não sobre tempo para mais nada, como ir a uma consulta, um tratamento. Essas pessoas tendem a menosprezar a sua saúde e bem-estar porque o seu foco é dar toda a atenção às pessoas que têm a cargo. É um assunto grave da sociedade”, afirmou.

O chefe do executivo reconheceu que o Governo e o Presidente da República têm dados passos no sentido de advertirem para esta problemática.

“Felizmente que a Santa Casa da Misericórdia avançou com o Centro de Apoio ao Cuidador Informal de Lousada e neste momento existe já uma resposta mais de cariz técnico, de apoio ao cuidador. Uma das vertentes que estava prevista na candidatura e que ainda não foi possível avançar tinha que ver com a disponibilidade de haver algum cuidador formal, de forma a permitir que o cuidador informal possa ter algum tempo para si”, atalhou,  confirmando que a pressão física e psicológica a que estes cuidadores estão sujeitos é elevadíssima.

“A câmara dá um apoio para que a Santa Casa possa contrata essa pessoas, que funciona como uma retaguarda aos cuidadores informais”, avançou, confirmando que a Santa Casa da Misericórdia e o município, no âmbito da implementação do Centro de Apoio ao Cuidador Informal de Lousada, desenvolvam uma atuação “conexa e concertada com o objetivo geral de criar uma bolsa de cuidadores formais que possam substituir temporariamente os cuidadores informais, em períodos curtos de tempo, permitindo aos cuidadores algum tempo para descanso e para a realização das suas necessidades, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida e do bem-estar do cuidador e da pessoa cuidada”.

A autarquia esclarece, em comunicado, que “o valor económico estimável do trabalho dos cuidadores informais é bastante relevante, estimado aproximadamente em quatro milhões de euros/ano”, adiantando, contudo, que “a exigência consistentes e continuadas no tempo podem conduzir à exaustão física, psicológica e social, comprometendo, a qualidade de vida do cuidador informal e, até mesmo, dos cuidados prestados”.

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